Janela do Quarto

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Da janela do meu quarto vejo o mundo inteiro, pessoas vêm, pessoas vão e me pergunto como é a vida delas, o que elas estão pensando, o que ás fez passar pela minha rua. Na janela do meu quarto habita o medo e o fascínio, o medo de morar em uma rua perigosa como a minha e o fascínio ao ver como a paisagem toda se transforma nos dias chuvosos.

Às vezes tenho vontade de sair, de experimentar ver o mundo além da minha janela, mas logo desisto, talvez eu não tenha capacidade ou talvez ele seja mais bonito aqui de dentro mesmo. A verdade é que a vida é mais confortável aqui da minha cadeira, monótona e sem muitas surpresas, mas ainda sim consigo me contentar com a vista da janela, pois independente de como seja a realidade vivida é bem mais fácil aceitá-la do que sair da zona de conforto.

Não vejo o mundo como ele é, mas como a janela mostra ser. O que me esperará do lado de fora da janela? Será que tudo é exatamente do jeito que vejo? Não se há garantias, posso me machucar, posso morrer, o mundo é um lugar perigoso afinal ou posso me tornar a pessoa mais feliz do mundo, por finalmente conseguir viver e sobreviver no mundo e não apenas vê-lo através da minha janela.

Não dá para saber afinal, só se pode fazer uma escolha, que é abrir ou não a janela.  O que vier depois é um mistério que vai ser revelado aos poucos, mas ao menos a janela vai estar aberta, para sentir o vento na cara, o sol no rosto e a chuva na pele, para entrar o que tiver de entrar e para sair o que tiver de sair.

Através da janela talvez tenha tudo o que eu sonho: a Inglaterra, uma boa editora e vários livros publicados ou talvez não tenha nada, apenas o infindável e desconhecido vazio.  A questão é se arriscar, abrir ou não a janela? Tudo pode acontecer, não da para prever, só da para tentar. E uma vez do lado de fora não tem mais como voltar, afinal janela só se abre de dentro.

A janela do meu quarto no fim é uma janela normal, inofensiva como acredito que sejam todas, mas ela reflete á mim outra janela, aquela janela que a gente sente mais não vê, que uma vez que a fechamos, custa a se deixar ser aberta novamente. A janela da alma.

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